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19/12/09

Natalis Invicti

Lá no início, nos seus primeiros quatro séculos de existência, a Igreja Católica preferia comemorar a morte ao invés do nascimento. Afinal, morte e culpa eram coisas sérias e lucrativas naqueles bons tempos, onde a venda de indulgências (perdão católico) garantia o vinho de boa safra aos bons padres. Com o tempo a coisa foi virando bagunça e o preço absurdo do garrafão de tinto obrigou a Igreja, muito a contragosto, a comemorar também a vida e o nascimento das pessoas. Ok, eu sei que foi uma grande derrota para os sombrios e taciturnos monges que, esfregando as mãos umas nas outras e sorrindo nervosamente, dedicavam toda a vida estudando e reverenciando a morte e a culpa. Mas a pressão dos pagãos e dos camelôs da Uruguaiana tornou inevitável a aceitação do Natal pela Igreja. O Natal nada mais é que uma ficção histórica rendosa, dado que ninguém sabe de fato quando Cristo nasceu. Alguns dizem que teria sido no dia 6 de janeiro. Mas não há nada nas escrituras sobre isso e o mais provável é mesmo que Jesus não tenha nascido em dezembro. Mas quem se importa? O dia 25 de dezembro foi escolhido apenas porque era a data de uma grande festa pagã (Natalis Invicti) que comemorava o nascimento do Sol. Era uma festa alegre e cheia de comes e bebes. Sendo assim, Constantino e o alto escalão da Igreja viram na data idólatra uma ótima oportunidade para se angariar devotos e, por conseqüência, vender indulgências e coxinhas de galinha. Foi nessa época que surgiu a famosa promoção de Natal: pague 3 e leve 2. Com aquela coisa de presentearem-se uns aos outros, nem mesmo os judeus reclamaram muito da festa, exceto os mais ortodoxos (quando eram obrigados a comprar algum presente sem a certeza de receber outro). Não seria mau se a Igreja Católica adotasse o jazz em suas celebrações natalinas. Talvez até rolasse a eleição de um Papa negro para animar o Vaticano. Aí, então, a festa estaria completa. Eu pagaria satisfeito para ouvir Miles Davis tocando dingo bel, dingo bel, acabou o papel...


13/12/09

Rapaz de bem


Johnny Alf, grande compositor, pianista, cantor, um dos precursores da bossa nova, precisa de ajuda. Quem puder fazer algo por "Genialf" (como Tom Jobim chamava-o), a seguir as infos passadas por seu empresário, Nelson Valencia: Oi Pessoal! O Johnny entrou em uma fase mais agressiva do tratamento, está fazendo quimioterapia, em função disso, acontece uma baixa de imunidade, por isso tem precisado receber transfusão de sangue. O Banco de Sangue do Hospital Mário Covas, está pedindo doadores. Quem puder ou conhecer quem possa, por favor, peço essa ajuda. Apesar da agressividade do tratamento, no geral, ele está reagindo bem. Ontem ele me pediu para levar as partituras, pois quer montar o roteiro para um novo show, pesquisando músicas que não toca há muito tempo. Esse é o melhor sinal, é o milagre da música. Assim seja!

Hospital Mário Covas - Fone 2829-5000

Banco de Sangue - procurar a Catarina

Doar para Alfredo José da Silva



De 2a. a sábado das 8 às 13h00

Idade de 18 a 65 anos, com mais de 50 Kg

Pode tomar o café da manhã

Qualquer tipo de sangue.

O Hospital fornece atestado para quem precisar.



O Hospital Estadual Mário Covas está localizado na Rua Henrique Calderazzo, 321, Bairro Paraíso, em Santo André, próximo ao Shopping ABC e ao Hospital Brasil.



No endereço abaixo tem um mapa com a localização:

www.hospitalmariocovas.org.br/internas.aspx





Abraços,

Nelson

09/12/09

O dia em que a Terra parou

Foi grande a confusão quando um sorridente Tobias Serralho apareceu na última reunião do Clube das Terças, o mais longevo e atuante clube de jazz do Espírito Santo. André e Pedro levantaram-se imediatamente, dizendo que iriam fumar fora do shopping. O presidente, Reinaldo, franziu a testa inconscientemente, como que prevendo o pior. Chico bebia tranquilo seus fartos litros d'água trazidos de casa, indiferente aos avisos de que água demais faz mal. João e João Luiz foram beber aquele café, enquanto Luiz Paixão cantarolava, ajeitava os suspensórios e espremia os olhos, tentando identificar o desconhecido que se aproximava com passos firmes. Salsa e Rogério partiram para o Balacobaco, bar tornado famoso por suas jam sessions e seus tremoços empanados. Gumercindo, recolhendo suas cinco sacolas, cada uma delas contendo algumas dezenas de raros lp's de maracatu, partiu em direção incerta, rumo ao lavabo. Grijó permanecia sentado, tronco ereto, cada uma das mãos sobre seus respectivos joelhos e, indiferente à tempestade que se aproximava, relia atento seu novo romance, fazendo algumas anotações esporádicas nos cantos das páginas, anotações que, segundo ele, serviriam ao seu discurso de lançamento do livro, marcado para amanhã, dia 10 de dezembro. Sem aparentar surpresa, John Lester levantou-se para receber o amigo maranhense, um belo exemplar de caboclo esculpido pela severa espátula da caatinga baiana. Sim, Tobias passou a infância em Cocorobó, cidadezinha da região conhecida como Sertão de Canudos, na margem direita do rio São Francisco, próximo às cabeceiras do rio Vaza Barris, um dos locais mais secos do mundo. Após um longo abraço, necessário para aplacar o distanciamento de quase uma década, Lester comete o erro de convidar o amigo para sentar-se à mesa, no que é firmemente impedido pelo presidente Reinaldo e pelo vice-presidentedo Luiz Paixão. Informam em duo, com certa dose de orgulho, que àquela mesa sentam-se somente os verdadeiros amantes do jazz. John Lester intercede em favor de Tobias, alegando uma série de antecedentes e atenuantes. Inflexíveis, o presidente e o vice são apoiados pelos demais sócios, todos antipáticos à idéia de franquear cadeira tão nobre a um desconhecido curioso e, o que é pior, muito sorridente. Foi quando Tobias, com educação mas determinado, propos à diretoria um desafio: ele faria uma pergunta sobre jazz aos membros do clube: se ninguém soubesse a resposta, ele poderia se juntar aos sócios. Todos concordaram imediatamente, imaginando que Tobias seria devidamente massacrado pelas toneladas de conhecimento acumulados ao longo de quase vinte anos de reuniões do Clube das Terças. Como que ajeitando a cartucheira, Tobias ajusta o cinto e dispara: quem era o pianista do primeiro conjunto de bebop a tocar na 52nd Street? Um imenso silêncio tomou conta da mesa de reunião, enquanto os membros do clube entreolhavam-se entre apreensivos e assustados. Não lembro quem esboçou uma resposta, no que foi prontamente impedido pelo presidente: estamos diante de uma complexa questão, alertou ele. Precisamos de muita calma, concordou Luiz Paixão. Salsa, mais desinibido, perguntou a Tobias em que ano aconteceu a coisa, e Tobias respondeu: 1944. Fernando, sempre preocupado com as fontes, perguntou de onde ele teria retirado tal informação, e Tobias respondeu: foi do Gramophone Jazz Good CD Guide, 2nd edition, 1997, página 606. Sem graça e engolindo em seco, Fernando agradeceu. Arcemir, o mais negro dos integrantes do clube, retirando seu chapéu Panamá e ajeitando as vistosas meias listradas calçadas por sapatos brancos, insinuou que o pianista negro deveria ser ou Bud Powell, ou Thelonious Monk. Tobias informou-nos que o pianista era branco, o que só fez aumentar nossa perplexidade. Num ato desesperado, André fez seu blefe, murmurando de forma audível que, então, ou foi Al Haig, ou foi Lennie Tristano. Tobias, sempre generoso, informou a todos que não, não foi nem Haig nem Tristano. Enquanto alguns membros abandonavam a cena do crime, nosso presidente solicitou a Tobias que informasse, caso fosse possível, quais os integrantes desse tal grupo de bebop, o primeiro a se apresentar na famosa 52nd Street de New York. Tobias, quase com pena, informou: o grupo era co-liderado pelo trompetista Dizzy Gillespie e pelo contrabaixista Oscar Pettiford, acrescentando que o baterista era Max Roach. Após quase três horas de tentativa e erro, e já visivelmente abatidos, fomos obrigados a permitir que Tobias senta-se à mesa, ávidos pelo nome do pianista. Tobias, então, informa que o pianista era George Wallington, provavelmente um dos primeiros pianistas brancos a dominar o idioma bop. Por sua técnica e velocidade, foi muitas vezes comparado a Bud Powell, muito embora possuísse um estilo mais melódico, sendo também muito convincente na interpretação de baladas. E Tobias prosseguiu: Wallington foi também um competente compositor - ouçam, por exemplo, Godchild e Lemon Drop. Suas gravações em trio são excelentes e, embora mal remasterizadas, as gravadas para a Prestige em 1952 e 1953 foram lançadas em CD, com Charles Mingus, Oscar Pettiford, Curley Russell (b) e Max Roach (d). Para os amigos, a apimentada faixa Sqeezer's Breezer , com esse pianista, quem diria, siciliano nascido em Palermo, em 1924. 

05/12/09

O jazz morreu: Bernardo Sassetti

Bernardo nasceu em Lisboa em Junho de 1970. Iniciou os seus estudos de piano clássico aos nove anos e, mais tarde, frequenta a Academia dos Amadores de Música. Dedicou-se ao Jazz, estudando com Zé Eduardo, Horace Parlan e Sir Roland Hanna. Aos 17 anos inicia a carreira profissional, participando de concertos e tocando em clubes locais, além de constar em inúmeros festivais, shows e gravações, acompanhando músicos como Al Grey, Art Farmer, Kenny Wheeler, Freddie Hubbard, Benny Golson, Curtis Fuller, Eddie Henderson e Charles McPherson. Em 1994 grava seu primeiro álbum como líder, Salsetti, para a Movieplay, com a aprticipação de Paquito D'Rivera. Ainda na década de 1990 passa a integrar a United Nations Orchestra e o quinteto de Guy Barker, com o qual grava o álbum Into the blue, para a Verve. Em 1997, também com Guy Barker, grava What Love is, acompanhado pela London Philarmonic Orchestra. Em 2002 grava o álbum Nocturno, para a Clean Feed, recebendo o 1º Prêmio Carlos Paredes. Além de excelente pianista, Bernardo destaca-se também como compositor, associando à sua formação clássica elementos folclóricos de Portugal, Brasil e África em peças como as suítes Ecos de África, Sons do Brasil, Mundos, Fragments (Of Cinematic Illusion), Entropé (para piano e orquestra) e 4 Movimentos Soltos (para piano, vibrafone, marimba e orquestra). Igualmente importante são suas diversas composições para o cinema, entre elas a realizada para o filme The Talented Mr. Ripley, de Anthony Minguella. Atualmente Bernardo vem atuando regularmente com seu trio, formado por Carlos Barretto (b) e Alexandre Frazao (d), ou em duo com o pianista Mário Laginha. Ouça aqui a faixa Monkais , em óbvia homenagem, retirada do álbum Nocturno, com Carlos (b) e Alexandre (d). Apesar disso, o nome Bernardo Sassetti permanece absolutamente desconhecido do grande público de jazz norte-americano, embora já tenha sido ouvido ao lado de grandes músicos do jazz e em trilhas sonoras de sucesso. Afastando-se das primeiras influências rítmicas fortemente percussivas das músicas africana e brasileira, em Nocturno Bernardo passa a investigar com mais vagar os aspectos melódicos e harmônicos de seus instrumento, no que é francamente favorecido pela sólida formação clássica. As noções de pausa e silêncio, antes administradas burocraticamente, recebem agora atenção cuidadosa, do que resulta uma tensão especialmente sedutora, além de composições mais inventivas melodicamente que, necessariamente, nos remetem a Chopin ou Satie. Gravado na residência e com o instrumento da formidável pianista Maria João Pires, Nocturno estabelece com nítidez os dissimulados contornos da noite, como que descritos com o auxílio de amigos como Bill Evans, Keith Jarrett ou Horace Parlan, este último um dos professores do bardo. Dignas de nota são as atuações dos excelentes Carlos Barretto e Alexandre Frazao, acompanhantes precisos e estimulantes. Boa audição.

03/12/09

Quero o meu autografado


Lenda Viva: Nathan Davis

Absolutamente nada sobre ele no The Penguin Guide to Jazz Recordings, nona edição. Idem no All Music Guide, quarta. Um dos maiores saxofonistas do Hard Bop que persevera incógnito. Nathan Davis nasceu em 1937, em Kansas City. Saxofonista tenor do Hard Bop e do Post-Bebop, iniciou a carreira aos 17 anos, tocando trombone. Após trabalhar com Jay McShann, Nathan seria um dos raros homens a integrar a International Sweethearts Of Rhythm, banda formada quase que exclusivamente por mulheres. Durante o período em que estuda na Kansas University, forma um grupo com o trompetista Carmell Jones. Entre 1960 e 1963, Nathan presta o serviço militar, em Berlin. Mantendo-se na Europa, trabalha com Kenny Clarke, Art Taylor e com o revolucionário saxofonista Eric Dolphy, participando de suas últimas gravações, realizadas para a rádio francesa ORTF. Em 1965, parte em turnê pela Europa com o Jazz Messengers, de Art Blakey. Após gravar uma série de álbuns para pequenos selos europeus, contando com músicos como Woody Shaw, Larry Young, Mal Waldron e Hampton Hawes, em 1969 retorna aos EUA para lecionar na Pittsburgh University. Na década de 1970, Nathan grava alguns álbuns para os selos Segue e Tomorrow International. Em 1985, forma a Paris Reunion Band, com músicos como Johnny Griffin, Kenny Drew, Nat Adderley, Dizzy Reece e Slide Hampton, entre outros. Na década seguinte, forma o conjunto Roots, com o qual grava e realiza turnês. Embora também domine a flauta, o clarone e o saxofone soprano, sendo um dos mais interessantes intérpretes modernos de baladas, infelizemtne Nathan não tem seu trabalho distribuído regularmente, contando com poucos álbuns disponíveis no mercado, entre eles Rules Of Freedom, uma homenagem a John Coltrane gravada em 1967 e lançado pelo selo inglês Hot House. Para os amigos, a faixa B's Blues , retirada do álbum The Hip Walk,  gravado em 1965 para o selo alemão Saba, período em que Nathan vivia em Paris com sua esposa alemã. Trata-se de um hard bop de excelente qualidade, contando com músicos então radicados na Europa: Carmell Jones (t), Francy Boland (p), Jimmy Woode (b) e Kenny Clarke (d). O álbum, lançado pela MPS, foi editado em CD pelo selo Motor Music em 1998.

30/11/09

Quem merece ser eleito o capixaba do ano?

Nosso amigo Reinaldo Santos Neves foi escolhido pelo jornal A Gazeta para concorrer a Artista do Ano: Até o dia 7 de dezembro você pode escolher os Capixabas do Ano - projeto que A GAZETA realiza pelo segundo ano consecutivo para eleger os destaques do Espírito Santo em 10 áreas: Educação, Saúde, Responsabilidade Social, Meio Ambiente, Ética, Administração, Empreendedorismo, Esporte e Cultura. Os três concorrentes de cada categoria foram selecionados por repórteres e editores de A GAZETA entre os nomes que mais se destacaram em 2009. Suas atuações são exemplo para muita gente. Entre os concorrentes, há gente de idades, profissões e interesses diversos. Os 10 vencedores serão conhecidos em uma edição especial da Revista.AG, que circula com A GAZETA no dia 27 de dezembro. Vote nos seus destaques e não perca o resultado, no último domingo do ano. Vote AQUI.

Elas também tocam jazz: Paula Shocron

Na Argentina, nem só de malbec vive o vinho, nem só de tango vive a música. Em Luján de Cuyo, região de Mendoza, certos dias permitem a belíssima visão de brancas montanhas congeladas sobre um imenso tapete verde formado por centenários vinhedos, alguns deles contendo excelentes cepas de cabernet franc, essa prima mais leve e suave da cabernet sauvignon, utilizada nos cortes de Bordeaux e nos varietais do Vale do Loire. Há também jazz na Argentina. Paula Shocron nasceu em Rosário, no dia 17 de março de 1980. Inicia seus estudos de piano clássico em sua cidade natal, ao mesmo tempo em que se interessa pela música popular e, aos dezesseis anos, conhece o jazz. Após estudar na Escuela de Música de la Universidad Nacional de Rosario, Paula decide-se pelo jazz e, aos vinte anos, passa a se apresentar em Buenos Aires. Em 2001, recebe uma bolsa de estudos da Berklee, mas permanece na Argentina em virtude da crise econômica que assola o país. Incentivada pela bolsa, segue trabalhando com o jazz, participando dos grupos Fuga de Cerebros (trio) e La Revancha (quarteto), com quem grava o álbum La intensidad del jogo. Em 2003, forma um trio com Ada Rave (ts) e Daniela Horovitz (v), recebendo elogios da crítica. É nesse período que consolida sua colaboração com o guitarrista Marcelo Gutfraind, com quem grava o álbum Percepciones, pelo selo BlueArt, em 2004. Além de atuar como sidewoman, Paula lidera seu próprio trio, formado por Jerónimo Carmona (b) e Carto Brandán (d). Em 2005, Paula grava La voz que te lleva, primeiro álbum de piano solo de uma pianista de jazz argentina, recebendo boa acolhida pela crítica internacional. Nesse mesmo ano, recebe o prêmio Clarín, na categoria revelação. Para os amigos fica a faixa Evidence , de Monk, retirada do álbum La voz que te lleva, que traz três composições de Thelonious Monk, interpretadas de maneira absolutamente sensível, inteligente e original. Para quem tem interesse no piano Post-Bebop, obviamente repleto de sotaque porteño, Paula é uma gratificante opção. Seu domínio técnico não chega a manifestar-se de forma opressiva, oferecendo um inteligente suporte quando atua como acompanhante, enriquecendo o discurso solista com discretas frases ora solenes, ora repletas de humor. Mas é como solista que sua presença marca, exatamente pela tensão que consegue descrever, seduzindo o ouvinte de maneira quase imperceptível. Quando damos conta, já estamos entregues aos jogos harmônicos dessa moça que, embora seja leve e suave como uma cabernet franc, tem a persistência típica dos melhores malbecs de Mendoza. Quanto ao vinho argentino que recebeu 96 pontos de Robert Parker, trata-se do Pulenta Estate Gran Cabernet Franc 2006, produzido na pequena vinícola dos irmãos Hugo e Eduardo Pulenta, em Luján de Cuyo, região irrigada pelo degelo da Cordilheira dos Andes e submetida a uma magnífica amplitude térmica. Recomendo ambos, pianista e vinho.